De 08 – 17 novembro 2024.
As palavras contam sempre – de onde vêm, como foram e são interpretadas, como são escritas, usadas, transformadas em armas, proibidas ou banalizadas. Não se sabe ao certo a origem da palavra ‘barroco’, como nunca se sabe muito bem os caminhos que fazem as línguas quando o seu nomadismo é honrado e o erro é uma virtude – o erro da errância, claro está. O termo terá vindo da Península Ibérica, muito possivelmente de Portugal e através do árabe, onde designava uma pérola de forma irregular. O ‘barroco’, enquanto termo que serve para designar o período das artes que compreende o século XVII e metade do século XVIII, estava longe de ser conhecido pelos artistas da época.
Na verdade, nas suas primeiras aparições foi usado de modo pejorativo: em 1750, um prestigiado viajante chamado Charles de Brosses lamentava que a fachada do palácio Pamphili, em Roma, tivesse sido reconstruída com ornamentação “mais própria para talheres”, e chamou-lhe precisamente “baroque”. Excesso de ornamentação, complexidade, voltas e reviravoltas decorativas que incomodavam alguns, mas fascinaram muitos outros. E se é certo que serviu para a recuperação criativa de edifícios medievais, que hoje consideraríamos historicamente abusiva, acrescentou maravilhas às várias artes que ainda hoje podemos apreciar. Por exemplo, na Sé do Porto fez-se o retábulo da capela-mor; nas igrejas de Santa Clara, da Ordem Terceira ou de Santo Ildefonso, encontramos uma grande riqueza em talha dourada e azulejos do século XVIII; para não falar na Igreja e Torre dos Clérigos, obra-prima de Nicolau Nasoni, e isto sem sair do Porto.
Alguns dos maiores centros musicais daquela época encontravam-se na Península Itálica, e foi precisamente aí que despontou o Barroco nas várias artes, em cidades como Roma, Veneza e Nápoles. Numa altura em que o nosso país beneficiava dos lucros da expansão marítima, o rei D. João V investiu na italianização da Sé Patriarcal e da Capela Real, com o envio de bolseiros a Itália e a contratação intensiva de prestigiados músicos italianos. Um deles foi Domenico Scarlatti, que em Portugal escreveu muitas das suas sonatas para teclado, e que teve contacto com Carlos Seixas, organista e compositor português que se tornou notável no meio musical de Lisboa. E é por isso que, nesta edição do festival À Volta do Barroco, a nossa orquestra dedicada à ‘interpretação historicamente informada’ de música antiga se volta para a obra destes dois grandes compositores. O convidado especial é o maestro e cravista Andreas Staier, um dos intérpretes mais aclamados de Scarlatti. Uma oportunidade imperdível para ouvir a excelente prestação da Orquestra Barroca Casa da Música, com um repertório brilhante que já foi gravado junto de Staier no disco À Portuguesa.
Há outras vertentes que nunca são esquecidas neste festival e lhe dão uma personalidade muito especial. Em primeiro lugar, a originalidade do Barroco será sempre mais bem entendida quando confrontada com o antes e o depois. Daí as pontes com a polifonia renascentista portuguesa – o antes –, esse repertório magnífico que o Coro Casa da Música nos propõe apreciar no último concerto deste festival. Considerado o pai da sinfonia, Haydn – o depois – está presente num programa da Orquestra Sinfónica com a sua Sinfonia Fúnebre. Não é aleatória a escolha desta obra, marcada pelas linhas claras e formas perfeitas que caracterizam os clássicos vienenses. Na verdade, foi uma das grandes inspirações do português João Domingos Bomtempo para a composição do seu Libera Me, incluído no mesmo concerto. Para a mesma noite de sexta-feira, dia 8, convidamos o acordeonista João Barradas, Artista em Associação da temporada, para provar em palco que a música de Johann Sebastian Bach é realmente um tesouro universal, com amplas possibilidades para se reinventar três séculos depois da sua criação. Nas mãos hábeis de um solista de dimensão mundial, o Concerto em Ré menor BWV 1052 é uma maravilhosa surpresa.
E não podíamos deixar de falar da outra vertente do festival: as pontes com o presente, a nova música que nasce ainda como resultado das inovações do Barroco. O concerto como obra musical que confronta solistas e um conjunto orquestral permanece um meio de expressão favorito dos compositores, o que fica patente com a música trazida pelo Remix Ensemble, em que são solistas a flauta (por Stephanie Wagner), o piano (por Jonathan Ayerst) e o violino (por Carolin Widmann), em partituras recentes de Luca Francesconi, Philippe Manoury e Kaija Saariaho.
A viagem no tempo começa no dia 8 e estende-se até ao dia 17 deste mês. Reserve já o seu lugar para mais uma edição do festival À Volta do Barroco.
Informações em Casa da Música.
VIETUR, agencia mayorista de turismo con más de 40 años en el mercado, anuncia el…
Aromaaz International anuncia su participación en Beauty Istanbul 2026, una destacada feria internacional de la…
Cordial saludo colegas desde la hermosa Reserva de Biosfera Seaflower. Me permito compartirles boletín de…
GoTrade invita a los participantes a su próxima sesión de aprendizaje sobre 'Fundamentos de aduanas',…
Filmelier+ celebra el Día del Niño con una selección especial de películas. El canal de…
El poder adquisitivo de la Generación Z está en ascenso, pero su lealtad hacia las…